Entre fraudes e verdades
A síndrome do impostor no divã reichiano
Between frauds and truths
The impostor syndrome on the Reichian couch
Resumo
Palavras-chave: Psicologia Corporal; Síndrome do impostor; Tipos de caráter.
Abstract
Keywords: Body Psychology; Impostor syndrome; Character types.
A Síndrome do Impostor é um fenômeno psicológico marcado pela incapacidade persistente de internalizar conquistas e sucessos pessoais, acompanhada pela constante sensação de fraude e medo de ser desmascarado como uma fraude (BRAVATA, 2020). Este fenômeno, inicialmente descrito em contextos acadêmicos e profissionais, tem sido objeto de estudo e reflexão em diversas abordagens terapêuticas, incluindo o enfoque reichiano.
O divã reichiano, fundamentado nos princípios da psicologia reichiana desenvolvida por Wilhelm Reich, propõe uma análise profunda das estruturas corporais e emocionais do indivíduo, integrando mente e corpo em um processo terapêutico único. Este artigo investiga como a Síndrome do Impostor se manifesta e é trabalhada dentro do contexto do divã reichiano, oferecendo insights sobre como essa abordagem terapêutica pode contribuir para a reconstrução da autenticidade pessoal e para o alívio dos conflitos internos associados à sensação de fraude.
Síndrome do Impostor não é um transtorno psiquiátrico e sim um transtorno psicológico que afeta muitas pessoas, especialmente aquelas com grandes realizações profissionais ou acadêmicas. São pessoas que apresentam em seu âmbito profissional um alto desempenho, mas apesar de seus sucessos alcançados, não conseguem internalizar suas ações como algo merecedor de um sucesso, achando que o que fazem é uma fraude, sem qualidade, etc.
A síndrome tornou-se conhecida em 1978 com as Psicólogas americanas Pauline Rose Clance e Suzenne Imes que conduziram um experimento sobre autoestima no ambiente de trabalho feminino. Observaram que muitas mulheres bem-sucedidas em suas carreiras, principalmente mulheres, compartilhavam sentimentos de inadequação e a sensação de serem impostoras em suas próprias vidas profissionais. Mais tarde percebe-se que a síndrome do impostor também acomete os homens, onde pesquisadores também afirmam que homens e mulheres enfrentam diferentemente com seus sentimentos impostores (HUTCHINS; RAINBOLT, 2017).
Esse é um tema que não está presente no DSM-V ou CID-10, mas que é um assunto atualmente bastante discutido pela comunidade acadêmica por perceber um aumento considerável desse transtorno, inclusive em jovens que estão iniciando suas atividades profissionais (BRAVATA, 2020).
No divã reichiano, a análise vai além das manifestações psíquicas, adentrando na dimensão corporal como expressão e depositária das emoções reprimidas e dos conflitos internos (Reich, 1945). As máscaras que os pacientes usam para ocultar sua verdadeira identidade são cuidadosamente desvendadas, revelando camadas de defesa que impedem o florescimento da autenticidade genuína.
Os conflitos internos que subjazem à Síndrome do Impostor são frequentemente enraizados em experiências passadas de invalidação ou pressões externas para atingir padrões inatingíveis. No divã reichiano, esses conflitos são explorados não apenas através do diálogo verbal, mas também através da análise das tensões e bloqueios somáticos que se manifestam no corpo do paciente (Reich, 1945). Essa abordagem holística permite uma compreensão mais profunda das origens e dos efeitos desses conflitos na vida do indivíduo.
O divã reichiano oferece um espaço terapêutico seguro e acolhedor para que os pacientes possam explorar suas camadas mais profundas de autenticidade. Ao despir as camadas de defesa que sustentam a Síndrome do Impostor, o terapeuta reichiano facilita o acesso a uma autenticidade verdadeira e não adulterada, promovendo um processo de cura que integra mente e corpo (Reich, 1945).
A Síndrome do Impostor representa um desafio significativo para muitos indivíduos, influenciando não apenas suas vidas profissionais, mas também suas experiências emocionais e relacionais. No divã reichiano, essa síndrome é abordada de maneira única, incorporando a análise corporal e emocional para promover a reconstrução da autenticidade pessoal. Mais pesquisas são necessárias para explorar plenamente o potencial terapêutico dessa abordagem e sua aplicabilidade em diferentes contextos clínicos.
Referências
BRAVATA, D.M., Watts, S.A., Keefer, A.L. et al. Prevalence, Predictors, and Treatment of Impostor Syndrome: a Systematic Review. J GEN INTERN MED, 35, 1252–1275, 2020. https://doi.org/10.1007/s11606-019-05364-1
HUTCHINS H. M, RAINBOLT, H. What triggers imposter phenomenon among academic faculty? A critical incident study exploring antecedents, coping, and development opportunities. Hum Resour Dev Int. 2017;20(3):194-214.
REICH, W. Análise do caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
Sobre o(s) autor(es)
José Henrique Volpi
Psicólogo (CRP-08-3685), Especialista em Psicologia Clínica, Psicologia Corporal, Anátomo-Fisiologia, Hipnose Ericksoniana, Psicodrama, Acupuntura e Método Ryodoraku (método de eletrodiagnóstico bioenergético e de tratamento pela Acupuntura). Mestre em Psicologia da Saúde e Doutor em Meio Ambiente. Diretor do Centro Reichiano e Organizador e Presidente dos Congressos Brasileiros de Psicoterapias Corporais. E-mail: volpi@centroreichiano.com.br