Centro Reichiano Centro Reichiano & Volpi Psicologia Corporal
Anais Científicos

Anais dos Congressos Brasileiros de Psicoterapias Corporais

Centro Reichiano • Desde 1997 • Congressos Brasileiros de Psicoterapias Corporais

Trabalho publicado nos Anais

Vivência de contato com a criança interna dentro da jornada do corpo e da alma no encontro da parentalidade

Elisa Alves da Silva Goiânia-GO · Brasil elisapsi@gmail.com
Joamara Mota Borges Brasília-DF · Brasil joamaramborges@gmail.com

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COMO REFERENCIAR ESSE ARTIGO
SILVA, Elisa Alves; BORGES, Joamara Mota. Vivência de contato com a criança
interna dentro da jornada do corpo e da alma no encontro da parentalidade. In:
VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) 26º CONGRESSO
BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Anais. Curitiba: Centro
Reichiano,
2023.
[ISBN
–
978-65-89012-03-0].
Disponível
em:
https://www.centroreichiano.com.br/anais-dos-congressos-de-psicologia/
Acesso
em: ____/____/____.

VIVÊNCIA DE CONTATO COM A CRIANÇA INTERNA DENTRO DA JORNADA

DO CORPO E DA ALMA NO ENCONTRO DA PARENTALIDADE

Elisa Alves da Silva

Joamara Mota Borges
RESUMO

A prática vivencial tem como objetivo ofertar aos participantes a fazerem contato com a
necessidade e/ou exigência de amor exclusivo que vivenciaram quando crianças. Os
integrantes poderão experimentar por meio das sensações corporais o contato com o
egocentrismo da criança interna e assim serão conduzidos a entrar na 2ª consciência (referente
ao círculo vicioso da criança ferida na perspectiva da Core Energetics) para observar e sentir a
camada de julgamentos que existe na expressão da necessidade desse amor exclusivo e logo
o distanciamento que isso gera na relação de parentalidade com os/as filhos/as. A experiência
contará com movimentos corporais e integração de energia e consciência que estão ancorados
na Core Energetics (John Pierrakos), Neurobiologia Interpessoal (Daniel Siegel) e
ensinamentos do Pathwork (Eva Pierrakos).

Palavras-chave: Criança interna. Círculo vicioso. Core Energetics. Parentalidade.
Neurobiologia. Pathwork.

A prática vivencial “contato com a criança interna dentro da jornada do corpo e da alma

no encontro da parentalidade” fez parte da programação de um dos encontros do grupo

“Jornada do Corpo e da Alma no encontro da Parentalidade” realizado com cuidadoras(es) de

crianças e adolescentes que estavam em atendimento psicoterapêutico no programa social da

formação em Core Energetics. Esse grupo ocorreu entre os meses de setembro a dezembro de

2022, no formato on-line, totalizando 10 encontros de 1 hora e meia com temáticas pré-

definidas.

A proposta desse trabalho aconteceu por meio da realização da pós-graduação (5º ano)

em Core Energetics com foco no aperfeiçoamento em atendimentos em grupos, casais,

gênero/sexualidade; no qual as autoras desse artigo propuseram esse projeto com a finalidade

de ofertar práticas psicocorporais e psicoeducativas em grupo que pudessem auxiliar no

desenvolvimento do autoconhecimento e na melhora da relação parental de cuidadoras(es) de

crianças e adolescentes.

As práticas psicocorporais cada vez mais vem abrangendo e sendo incluídas nos

estudos das neurociências, sendo consideradas primordiais como forma de compreender a

complexidade do aprendizado, destacando que quando o corpo é envolvido no processo de

aprendizagem ocorrem apreensões e mudanças muito mais profundas e também duradouras

(SIEGEL, comunicação curso de Neurobiologia Interpessoal, outubro de 2021).

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BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Anais. Curitiba: Centro
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2023.
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No que diz respeito ao relacionamento parental, tanto nos estudos da Core Energetics e

Pathwork como nas pesquisas do campo da Neurobiologia Interpessoal, foi possível identificar

observações semelhantes sobre o sentido que os cuidadores dão às experiências que tiveram

no próprio desenvolvimento durante a infância têm um efeito profundo na forma de criar e se

relacionar com os filhos (PIERRAKOS, 1997; PIERRAKOS, 1960; THESENGA, 2018; SIEGEL;

HARTZELL, 2020). Assim, o trabalho com mães e pais é fundamental para criação de

relacionamentos com vínculos mais seguros, confiáveis, saudáveis e conscientes no

autoconhecimento de fazerem o melhor possível como os recursos que cada pessoa tem no

cotidiano com as/os filhas/os.

Siegel e Hartzell (2020) esclarecem que o relacionamento entre mães, pais e filhas/os

sempre será alvo importante em estratégias de prevenção ao desenvolvimento saudável das

crianças e adolescentes, pois impactam no campo físico e emocional de forma significativa a

levar repercussões para fase adulta. Por isso, esses autores ressaltam a importância do

exercício do autoconhecimento no desempenho do papel de mãe e pai na criação das/os

filhas/os. “Pesquisas na área do desenvolvimento infantil demonstram que a segurança do

apego de uma criança pelos pais é altamente correlacionada com a compreensão dos pais a

respeito das próprias experiências iniciais na vida” (SIEGEL; HARTZELL, 2020, p. 11).

Nos estudos da Core Energetics e Pathwork a jornada da alma é realizada a partir de

uma escolha em estar nesse mundo com as relações e pessoas que fazem parte do cotidiano

de cada alma humana individual, assim consideram que os pais são a influência mais

importante na vida de uma criança. Outras pessoas também contribuem para formar as

impressões originais da maleável substância da alma da criança, como familiares, professores,

irmãos, ou qualquer pessoa próxima. “Se os pais não tiverem como única motivação o amor

com visão suficientemente longa para restringir, se necessário, sua culpa, as confusões

interiores e a incapacidade de lidar com os problemas representados pelo filho, certamente irão

provocar uma perturbação interior no relacionamento” (PAIS, 2023).

Vale ressaltar a grande influência intergeracional na vida das pessoas, em especial no

exercício da parentalidade, tese essa que tem sido amparada por diferentes linhas teóricas da

psicologia, dentre elas: teoria familiar sistêmica, teoria da aprendizagem social e teoria do

apego. Essas linhas se distanciam no que se refere aos mecanismos apresentados para a

justificação dessa influência, no entanto se fundem na ideia comum de determinados padrões

de conduta seriam fixados com a convivência familiar (Marin AH, Martins GDF, Freitas APC de

O, Silva IM, Lopes R de CS, Piccinini CA, 2013).

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–
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Importante destacar que a teoria familiar sistêmica frisa como as condutas vistas na

família de origem propiciam o desenvolvimento de modelos, conscientes ou não, condutas que

são seguidas ou evitadas nas relações posteriores. Essas referências, na maioria das vezes,

deriva-se em mitos ou segredos de famílias, seguidos por gerações a fio, assim como em

transmissão sobre do que é esperado de cada membro familiar (Marin AH, Martins GDF,

Freitas APC de O, Silva IM, Lopes R de CS, Piccinini CA., 2013).

No que se refere a teoria da aprendizagem social, observassem as características

comportamentais aprendidas, que assimilam o reforço de determinados comportamentos do

indivíduo em si e o modelo, que se referem a comportamentos transmitidos por outros

indivíduos, especialmente os da família nuclear. (Marin AH, Martins GDF, Freitas APC de O,

Silva IM, Lopes R de CS, Piccinini CA., 2013).

Por fim, a teoria do apego reforça como as experiências iniciais com a figura de apego

(os cuidadores primários) levam à construção de modelos operacionais a respeito de si mesmo

e dos outros, que influenciarão as relações futuras e serão referência para a criação dos filhos

através da busca pela replicação ou pela correção de experiências prévias. (Marin AH, Martins

GDF, Freitas APC de O, Silva IM, Lopes R de CS, Piccinini CA., 2013).

Dessa forma, para a Core Energetics e o Pathwork, compreender e ter clareza dos

possíveis comportamentos faltosos dos pais em relação aos filhos, auxilia a perceber os

aspectos de aprendizados necessários na relação da parentalidade e também na contribuição

dos pais no processo evolutivo da alma da criança. “Os pais e as circunstâncias difíceis da

infância são as condições que nós mesmos providenciamos para por em destaque as áreas de

dificuldade, com o intuito de trazê-las para o primeiro plano na infância e, mais tarde, enfrentá-

las e transformá-las” (THESENGA, 2018, p. 100).

Tsabary (2017) contribui com essa reflexão, ressaltando que ver a maternidade e

paternidade como um processo de metamorfose emocional e espiritual que permite criar um

espaço psíquico para atrair as lições dessa jornada. Como mãe ou pai, à medida que você for

capaz de reconhecer que seus filhos estão na sua vida para promover uma noção renovada de

quem você é, você vai descobrir o potencial deles para auxiliá-los na descoberta do seu próprio

ser verdadeiro.

Assim, compreender as transferências e projeções dos conflitos com a mãe e o pai é

fundamental, pois poderá ser notado que jamais houve reação plenamente com as outras

relações, inclusive com as/os filhas/os, pelos que elas/es realmente eram, mas considerando

elas/es como extensões de uma experiência anterior (Pierrakos, 1963). Dessa forma, é preciso

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reexperimentar a falta, a dor e o choro da criança que esses pais já foram (PIERRAKOS,

1960).

Vale destacar que essas distorções e transferências produzem repetições do amor

imaturo e por isso as crianças raramente recebem suficiente amor e carinho maduros, então

elas continuam carentes disso ao longo da vida, a menos que essa falta e mágoa sejam

reconhecidas e adequadamente manejadas. E a solução não pode ser encontrada desejando

que as coisas sejam diferentes e que as pessoas aprendam a praticar o amor maduro. A

solução está no autoconhecimento, no desejo de mudança interna e na autorresponsabilidade

de cada pessoa por realizar esse processo de transformações e aprendizados da jornada da

alma (PIERRAKOS, 1960).

A partir dessa breve contextualização, o foco dessa vivência ofertada no congresso será

de ofertar as/os participantes a fazerem contato com a necessidade e/ou exigência de amor

exclusivo que vivenciaram quando crianças, fazendo um resgate das sensações que habitam a

criança interna de cada pessoa. A estrutura do encontro terá a seguinte sequência:

acolhimento; aquecimento com movimentos corporais embasados na Core Energetics e na

Neurobiologia Interpessoal; desenvolvimento com psicoeducação e experimentação por meio

das sensações corporais do contato com o egocentrismo da criança interna e em seguida

conduzidos a perceberem a segunda consciência (referente ao círculo vicioso da criança ferida

na perspectiva da Core Energetics) para observar e sentir a camada de julgamentos que existe

na expressão da necessidade desse amor exclusivo e logo o distanciamento que isso gera na

relação de parentalidade com os/as filhos/as; e, por fim, a integração com partilha.

O objetivo é que essa vivência, a partir da conexão entre práticas corporais com o

conhecimento psicoeducativo, possibilite que as/os participantes ampliem a consciência do

autoconhecimento
sobre
a
necessidade
de
acolhimento
da
criança
interna
e,

consequentemente, possam observar a melhora do vínculo por meio das relações de afeto e

cuidado na parentalidade com as crianças e adolescentes que se relacionam. Concordamos

que “a metamorfose paterna ou materna é a chave para um salto na conscientização humana.

A única maneira significativa para pais e filhos se relacionarem é como parceiros espirituais em

mútuo progresso espiritual. Por isso, a criação consciente dos filhos vai além das técnicas cujo

objetivo é fixar um comportamento específico, envolvendo os aspectos mais profundos do

relacionamento entre pais e filhos” (TSABARY, 2017, p. 29).

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interna dentro da jornada do corpo e da alma no encontro da parentalidade. In:
VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) 26º CONGRESSO
BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Anais. Curitiba: Centro
Reichiano,
2023.
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–
978-65-89012-03-0].
Disponível
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https://www.centroreichiano.com.br/anais-dos-congressos-de-psicologia/
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Referências

PAIS. In: Dicionário Pathwork Online. Disponível em: <Pais (pathworkrjes.com.br)>. Acesso

em 20/04/2023

PIERRAKOS, John C. Energética da essência: desenvolvendo a capacidade de amar e de
curar. São Paulo: Pensamento, 1997.

PIERRAKOS, Eva. Compulsão para recriar e superar as feridas da infância. Palestra Guia
Pathwork, n. 73. 1960. Disponível em: <http://pathworkbrasil.com.br/ckfinder/userfiles/files/Pw-
073.pdf > Acesso em: 07/05/2022.

SIEGEL, Daniel. Comunicação em Curso de Neurobiologia Interpessoal, outubro de 2021.
Anotações de registro do curso.

SIEGEL, Daniel J.; HARTZELL, Mary. Parentalidade consciente: como o autoconhecimento
nos ajuda a criar nossos filhos. São Paulo: nVersos, 2020.

THESENGA, Susan. O eu sem defesas: o método pathwork para viver uma espiritualidade
integral. São Paulo: Cultrix, 2018.

TSABARY, Shefali. Pais e mães conscientes: como transformar nossas vidas para
empoderar nossos filhos. Rio de Janeiro: Bicicleta Amarela, 2017.

MARIN AH, MARTINS GDF, FREITAS APC de O, SILVA IM, LOPES R de CS, PICCINNIi CA.
Transmissão intergeracional de práticas educativas parentais: evidências empíricas.
Psic:
Teor
e
Pesq
[Internet].
2013Apr;29(2):123–32.
Available
from:
https://doi.org/10.1590/S0102-37722013000200001

AUTORAS

Elisa Alves da Silva / Goiânia / GO / Brasil
Psicóloga (CRP 09/3560), Doutora e Mestra em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade
de Brasília (UnB). Formação em Terapia Reichiana com Dimas Callegari e Psicoterapeuta
Corporal em Core Energetics UNIPAZ / DF / Institute of Core Energetics of New York.
E-mail: elisapsi@gmail.com

Joamara Mota Borges / Brasília / DF / Brasil
Psicóloga (CRP 01/17903), Mestra pela Universidade de Brasília, Especialista em Psicolgia
Escolar pela PUC (Pontifícia Católica de Goiás. Formação em Terapia Reichiana para crianças
e adolescentes com Brasilda Rocha. Psicoterapeuta Corporal em Core Energetics UNIPAZ /
DF / Institute of Core Energetics of New York. Spiritual Counselor pelo NY Region Pathwork.
Assistente da 13ª turma de graduação em Core Energétics pela Rede Brasil.
E-mail: joamaramborges@gmail.com

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Como citar este trabalho

SILVA, Elisa Alves da; BORGES, Joamara Mota. Vivência de contato com a criança interna dentro da jornada do corpo e da alma no encontro da parentalidade. In: Anais do Congresso Brasileiro de Psicoterapias Corporais, 2023. Curitiba: Centro Reichiano. Disponível em: https://centroreichiano.com.br/anais/vivencia-de-contato-com-a-crianca-interna-elisa-da-silva-e-joamara-borges/. Acesso em: 15/10/2026.