Vivência de contato com a criança interna dentro da jornada do corpo e da alma no encontro da parentalidade
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COMO REFERENCIAR ESSE ARTIGO
SILVA, Elisa Alves; BORGES, Joamara Mota. Vivência de contato com a criança
interna dentro da jornada do corpo e da alma no encontro da parentalidade. In:
VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) 26º CONGRESSO
BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Anais. Curitiba: Centro
Reichiano,
2023.
[ISBN
–
978-65-89012-03-0].
Disponível
em:
https://www.centroreichiano.com.br/anais-dos-congressos-de-psicologia/
Acesso
em: ____/____/____.
VIVÊNCIA DE CONTATO COM A CRIANÇA INTERNA DENTRO DA JORNADA
DO CORPO E DA ALMA NO ENCONTRO DA PARENTALIDADE
Elisa Alves da Silva
Joamara Mota Borges
RESUMO
A prática vivencial tem como objetivo ofertar aos participantes a fazerem contato com a
necessidade e/ou exigência de amor exclusivo que vivenciaram quando crianças. Os
integrantes poderão experimentar por meio das sensações corporais o contato com o
egocentrismo da criança interna e assim serão conduzidos a entrar na 2ª consciência (referente
ao círculo vicioso da criança ferida na perspectiva da Core Energetics) para observar e sentir a
camada de julgamentos que existe na expressão da necessidade desse amor exclusivo e logo
o distanciamento que isso gera na relação de parentalidade com os/as filhos/as. A experiência
contará com movimentos corporais e integração de energia e consciência que estão ancorados
na Core Energetics (John Pierrakos), Neurobiologia Interpessoal (Daniel Siegel) e
ensinamentos do Pathwork (Eva Pierrakos).
Palavras-chave: Criança interna. Círculo vicioso. Core Energetics. Parentalidade.
Neurobiologia. Pathwork.
A prática vivencial “contato com a criança interna dentro da jornada do corpo e da alma
no encontro da parentalidade” fez parte da programação de um dos encontros do grupo
“Jornada do Corpo e da Alma no encontro da Parentalidade” realizado com cuidadoras(es) de
crianças e adolescentes que estavam em atendimento psicoterapêutico no programa social da
formação em Core Energetics. Esse grupo ocorreu entre os meses de setembro a dezembro de
2022, no formato on-line, totalizando 10 encontros de 1 hora e meia com temáticas pré-
definidas.
A proposta desse trabalho aconteceu por meio da realização da pós-graduação (5º ano)
em Core Energetics com foco no aperfeiçoamento em atendimentos em grupos, casais,
gênero/sexualidade; no qual as autoras desse artigo propuseram esse projeto com a finalidade
de ofertar práticas psicocorporais e psicoeducativas em grupo que pudessem auxiliar no
desenvolvimento do autoconhecimento e na melhora da relação parental de cuidadoras(es) de
crianças e adolescentes.
As práticas psicocorporais cada vez mais vem abrangendo e sendo incluídas nos
estudos das neurociências, sendo consideradas primordiais como forma de compreender a
complexidade do aprendizado, destacando que quando o corpo é envolvido no processo de
aprendizagem ocorrem apreensões e mudanças muito mais profundas e também duradouras
(SIEGEL, comunicação curso de Neurobiologia Interpessoal, outubro de 2021).
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No que diz respeito ao relacionamento parental, tanto nos estudos da Core Energetics e
Pathwork como nas pesquisas do campo da Neurobiologia Interpessoal, foi possível identificar
observações semelhantes sobre o sentido que os cuidadores dão às experiências que tiveram
no próprio desenvolvimento durante a infância têm um efeito profundo na forma de criar e se
relacionar com os filhos (PIERRAKOS, 1997; PIERRAKOS, 1960; THESENGA, 2018; SIEGEL;
HARTZELL, 2020). Assim, o trabalho com mães e pais é fundamental para criação de
relacionamentos com vínculos mais seguros, confiáveis, saudáveis e conscientes no
autoconhecimento de fazerem o melhor possível como os recursos que cada pessoa tem no
cotidiano com as/os filhas/os.
Siegel e Hartzell (2020) esclarecem que o relacionamento entre mães, pais e filhas/os
sempre será alvo importante em estratégias de prevenção ao desenvolvimento saudável das
crianças e adolescentes, pois impactam no campo físico e emocional de forma significativa a
levar repercussões para fase adulta. Por isso, esses autores ressaltam a importância do
exercício do autoconhecimento no desempenho do papel de mãe e pai na criação das/os
filhas/os. “Pesquisas na área do desenvolvimento infantil demonstram que a segurança do
apego de uma criança pelos pais é altamente correlacionada com a compreensão dos pais a
respeito das próprias experiências iniciais na vida” (SIEGEL; HARTZELL, 2020, p. 11).
Nos estudos da Core Energetics e Pathwork a jornada da alma é realizada a partir de
uma escolha em estar nesse mundo com as relações e pessoas que fazem parte do cotidiano
de cada alma humana individual, assim consideram que os pais são a influência mais
importante na vida de uma criança. Outras pessoas também contribuem para formar as
impressões originais da maleável substância da alma da criança, como familiares, professores,
irmãos, ou qualquer pessoa próxima. “Se os pais não tiverem como única motivação o amor
com visão suficientemente longa para restringir, se necessário, sua culpa, as confusões
interiores e a incapacidade de lidar com os problemas representados pelo filho, certamente irão
provocar uma perturbação interior no relacionamento” (PAIS, 2023).
Vale ressaltar a grande influência intergeracional na vida das pessoas, em especial no
exercício da parentalidade, tese essa que tem sido amparada por diferentes linhas teóricas da
psicologia, dentre elas: teoria familiar sistêmica, teoria da aprendizagem social e teoria do
apego. Essas linhas se distanciam no que se refere aos mecanismos apresentados para a
justificação dessa influência, no entanto se fundem na ideia comum de determinados padrões
de conduta seriam fixados com a convivência familiar (Marin AH, Martins GDF, Freitas APC de
O, Silva IM, Lopes R de CS, Piccinini CA, 2013).
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Importante destacar que a teoria familiar sistêmica frisa como as condutas vistas na
família de origem propiciam o desenvolvimento de modelos, conscientes ou não, condutas que
são seguidas ou evitadas nas relações posteriores. Essas referências, na maioria das vezes,
deriva-se em mitos ou segredos de famílias, seguidos por gerações a fio, assim como em
transmissão sobre do que é esperado de cada membro familiar (Marin AH, Martins GDF,
Freitas APC de O, Silva IM, Lopes R de CS, Piccinini CA., 2013).
No que se refere a teoria da aprendizagem social, observassem as características
comportamentais aprendidas, que assimilam o reforço de determinados comportamentos do
indivíduo em si e o modelo, que se referem a comportamentos transmitidos por outros
indivíduos, especialmente os da família nuclear. (Marin AH, Martins GDF, Freitas APC de O,
Silva IM, Lopes R de CS, Piccinini CA., 2013).
Por fim, a teoria do apego reforça como as experiências iniciais com a figura de apego
(os cuidadores primários) levam à construção de modelos operacionais a respeito de si mesmo
e dos outros, que influenciarão as relações futuras e serão referência para a criação dos filhos
através da busca pela replicação ou pela correção de experiências prévias. (Marin AH, Martins
GDF, Freitas APC de O, Silva IM, Lopes R de CS, Piccinini CA., 2013).
Dessa forma, para a Core Energetics e o Pathwork, compreender e ter clareza dos
possíveis comportamentos faltosos dos pais em relação aos filhos, auxilia a perceber os
aspectos de aprendizados necessários na relação da parentalidade e também na contribuição
dos pais no processo evolutivo da alma da criança. “Os pais e as circunstâncias difíceis da
infância são as condições que nós mesmos providenciamos para por em destaque as áreas de
dificuldade, com o intuito de trazê-las para o primeiro plano na infância e, mais tarde, enfrentá-
las e transformá-las” (THESENGA, 2018, p. 100).
Tsabary (2017) contribui com essa reflexão, ressaltando que ver a maternidade e
paternidade como um processo de metamorfose emocional e espiritual que permite criar um
espaço psíquico para atrair as lições dessa jornada. Como mãe ou pai, à medida que você for
capaz de reconhecer que seus filhos estão na sua vida para promover uma noção renovada de
quem você é, você vai descobrir o potencial deles para auxiliá-los na descoberta do seu próprio
ser verdadeiro.
Assim, compreender as transferências e projeções dos conflitos com a mãe e o pai é
fundamental, pois poderá ser notado que jamais houve reação plenamente com as outras
relações, inclusive com as/os filhas/os, pelos que elas/es realmente eram, mas considerando
elas/es como extensões de uma experiência anterior (Pierrakos, 1963). Dessa forma, é preciso
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reexperimentar a falta, a dor e o choro da criança que esses pais já foram (PIERRAKOS,
1960).
Vale destacar que essas distorções e transferências produzem repetições do amor
imaturo e por isso as crianças raramente recebem suficiente amor e carinho maduros, então
elas continuam carentes disso ao longo da vida, a menos que essa falta e mágoa sejam
reconhecidas e adequadamente manejadas. E a solução não pode ser encontrada desejando
que as coisas sejam diferentes e que as pessoas aprendam a praticar o amor maduro. A
solução está no autoconhecimento, no desejo de mudança interna e na autorresponsabilidade
de cada pessoa por realizar esse processo de transformações e aprendizados da jornada da
alma (PIERRAKOS, 1960).
A partir dessa breve contextualização, o foco dessa vivência ofertada no congresso será
de ofertar as/os participantes a fazerem contato com a necessidade e/ou exigência de amor
exclusivo que vivenciaram quando crianças, fazendo um resgate das sensações que habitam a
criança interna de cada pessoa. A estrutura do encontro terá a seguinte sequência:
acolhimento; aquecimento com movimentos corporais embasados na Core Energetics e na
Neurobiologia Interpessoal; desenvolvimento com psicoeducação e experimentação por meio
das sensações corporais do contato com o egocentrismo da criança interna e em seguida
conduzidos a perceberem a segunda consciência (referente ao círculo vicioso da criança ferida
na perspectiva da Core Energetics) para observar e sentir a camada de julgamentos que existe
na expressão da necessidade desse amor exclusivo e logo o distanciamento que isso gera na
relação de parentalidade com os/as filhos/as; e, por fim, a integração com partilha.
O objetivo é que essa vivência, a partir da conexão entre práticas corporais com o
conhecimento psicoeducativo, possibilite que as/os participantes ampliem a consciência do
autoconhecimento
sobre
a
necessidade
de
acolhimento
da
criança
interna
e,
consequentemente, possam observar a melhora do vínculo por meio das relações de afeto e
cuidado na parentalidade com as crianças e adolescentes que se relacionam. Concordamos
que “a metamorfose paterna ou materna é a chave para um salto na conscientização humana.
A única maneira significativa para pais e filhos se relacionarem é como parceiros espirituais em
mútuo progresso espiritual. Por isso, a criação consciente dos filhos vai além das técnicas cujo
objetivo é fixar um comportamento específico, envolvendo os aspectos mais profundos do
relacionamento entre pais e filhos” (TSABARY, 2017, p. 29).
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Referências
PAIS. In: Dicionário Pathwork Online. Disponível em: <Pais (pathworkrjes.com.br)>. Acesso
em 20/04/2023
PIERRAKOS, John C. Energética da essência: desenvolvendo a capacidade de amar e de
curar. São Paulo: Pensamento, 1997.
PIERRAKOS, Eva. Compulsão para recriar e superar as feridas da infância. Palestra Guia
Pathwork, n. 73. 1960. Disponível em: <http://pathworkbrasil.com.br/ckfinder/userfiles/files/Pw-
073.pdf > Acesso em: 07/05/2022.
SIEGEL, Daniel. Comunicação em Curso de Neurobiologia Interpessoal, outubro de 2021.
Anotações de registro do curso.
SIEGEL, Daniel J.; HARTZELL, Mary. Parentalidade consciente: como o autoconhecimento
nos ajuda a criar nossos filhos. São Paulo: nVersos, 2020.
THESENGA, Susan. O eu sem defesas: o método pathwork para viver uma espiritualidade
integral. São Paulo: Cultrix, 2018.
TSABARY, Shefali. Pais e mães conscientes: como transformar nossas vidas para
empoderar nossos filhos. Rio de Janeiro: Bicicleta Amarela, 2017.
MARIN AH, MARTINS GDF, FREITAS APC de O, SILVA IM, LOPES R de CS, PICCINNIi CA.
Transmissão intergeracional de práticas educativas parentais: evidências empíricas.
Psic:
Teor
e
Pesq
[Internet].
2013Apr;29(2):123–32.
Available
from:
https://doi.org/10.1590/S0102-37722013000200001
AUTORAS
Elisa Alves da Silva / Goiânia / GO / Brasil
Psicóloga (CRP 09/3560), Doutora e Mestra em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade
de Brasília (UnB). Formação em Terapia Reichiana com Dimas Callegari e Psicoterapeuta
Corporal em Core Energetics UNIPAZ / DF / Institute of Core Energetics of New York.
E-mail: elisapsi@gmail.com
Joamara Mota Borges / Brasília / DF / Brasil
Psicóloga (CRP 01/17903), Mestra pela Universidade de Brasília, Especialista em Psicolgia
Escolar pela PUC (Pontifícia Católica de Goiás. Formação em Terapia Reichiana para crianças
e adolescentes com Brasilda Rocha. Psicoterapeuta Corporal em Core Energetics UNIPAZ /
DF / Institute of Core Energetics of New York. Spiritual Counselor pelo NY Region Pathwork.
Assistente da 13ª turma de graduação em Core Energétics pela Rede Brasil.
E-mail: joamaramborges@gmail.com
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