Centro Reichiano Centro Reichiano & Volpi Psicologia Corporal
Anais Científicos

Anais dos Congressos Brasileiros de Psicoterapias Corporais

Centro Reichiano • Desde 1997 • Congressos Brasileiros de Psicoterapias Corporais

Trabalho publicado nos Anais

Vinho das almas

Como o uso de ayahuasca pode impactar na qualidade de vida à luz da Neuropsicologia

Vinícius Eduardo Damacena UGV · Porto União / SC · Brasil psi-viniciusdamacena@ugv.edu.br
Natalie de Castro Almeida UGV · União da Vitória / PR · Brasil sicologianatalie@gmail.com

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COMO REFERENCIAR ESSE ARTIGO
DAMACENA, Vinícius Eduardo; ALMEIDA, Natalie de Castro. Vinho das almas:
como o uso de ayahuasca pode impactar na qualidade de vida à luz da
Neuropsicologia. In: VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) 26º
CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Anais. Curitiba:
Centro
Reichiano,
2023.
[ISBN
–
978-65-89012-03-0].
Disponível
em:
https://www.centroreichiano.com.br/anais-dos-congressos-de-psicologia/
Acesso
em: ____/____/____.

VINHO DAS ALMAS: COMO O USO DE AYAHUASCA PODE IMPACTAR

NA QUALIDADE DE VIDA À LUZ DA NEUROPSICOLOGIA

Vinícius Eduardo Damacena
Natalie de Castro Almeida

RESUMO

Atualmente a bebida indígena ayahuasca vem ganhando espaço nos centros urbanos, e
conquistando uma legião de seguidores que encontram em seu uso uma resolução para seus
problemas, o chá, também conhecido como vinho das almas, tem propriedades alucinógenas e
aliado a uma ritualística religiosa avança pela história, cercada de mistérios. Diversas pessoas
relatam que o uso da bebida é magico e este estudo busca compreender como a Ayahuasca
atua no organismo e se seu uso realmente gera impacto na qualidade de vida de seus adeptos.

Palavras-chave: Ayahuasca. Neuropsicologia. Qualidade de Vida. Terapia Reichiana.

Quando o termo ayahuasca é citado, muitas dúvidas surgem de forma quase que

instantânea em quem ouve, embora seu uso seja antigo, muito pouco se sabe sobre a

substância e suas implicações no cotidiano. O tema ainda necessita de estudo e a pouca

produção existente ainda não consegue esclarecer as nuances e segredos da bebida. Além

disso o assunto precisa tornar-se relevante na área da saúde, uma vez que durante o ritual

com ayahuasca acontecem diversos fenômenos fisiológicos, como por exemplo, diarreia,

sudorese intensa, que com o passar do tempo podem se transformar em implicações a saúde

da pessoa que faz o uso, assim é necessário deixar de lado o misticismo e falar sobre os

aspectos concomitantes da bebida.

Para alcançar um resultado satisfatório e fidedigno o intuito desta pesquisa foi buscar

dados reais e mensuráveis, adquiridos através de pessoas que estiveram em contato com a

bebida e de maneira quantitativa apontar se o uso da bebida é benéfico. Outro ponto aqui

tratado é sobre como a ayahuasca atua no organismo humano e suas conexões tanto com a

teoria reichiana quanto com a Neuropsicologia.

Ayahuasca é a nomenclatura utilizada para nomear um chá com efeito alucinógeno,

produzido pela cultura indígena tendo como matéria prima duas plantas amazônicas, o Jagube,

também conhecido como Cipó de Mariri (Banisteriopsis Caapi), e as folhas do arbusto

Chacrona (Psychotria Viridis) (GOMES, 2016). A prática da consagração da bebida indígena

remonta a Amazônia pré-colonial, seu uso é feito por diversas tribos indígenas sem uma data

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específica para o início da mesma. Hoje ela ganha relevância midiática, aparecendo em

grandes centros urbanos, tanto no Brasil como ao redor do globo, como uma terapia natural e

alternativa, estes holofotes tornaram a ayahuasca foco deste estudo (CARVALHO, 2020.

GOMES, 2016)

Para Carvalho (2020) o uso da ayahuasca é presente na sociedade atual, contudo a

escassez de pesquisas feitas sobre o tema não consegue elucidar se a mesma possui um

potencial terapêutico, vale lembrar-se também que a bebida tem seu uso regulamentado pela

legislação brasileira, sendo compreendida como uma manifestação cultural e religiosa, não

podendo ser proibida (Brasil, 1988). A autora ressalta os preconceitos e falta de respeito com a

cultura indígena, inclusive da mídia, que por vezes difunde-a de maneira satirizada.

O QUE É AYAHUASCA?

O chá da ayahuasca é um conhecimento milenar, utilizado pelos nativos sul-

americanos, principalmente, na porção relacionada a floresta amazônica, seu uso é muito

comum nas tribos xamânicas, conceito filosófico para um estilo de vida que busca o

autoconhecimento e o contato com a natureza. Existem indícios de que o chá foi utilizado por

diversos povos com finalidades semelhantes durante a história e até os dias atuais é utilizado

como forma natural de medicina (FERNANDES, 2018)

No início do século 30, Raimundo Irineu Serra, ou como viria a ser conhecido, Mestre

Irineu, foi trabalhar na floresta amazônica e teve contato com a bebida, a partir deste encontro

o seringueiro fundou a primeira linha religiosa ayahuasqueira, o Santo Daime. A história nos

conta que o nome foi obtido de uma visão que Mestre Irineu teve durante a consagração da

ayahuasca, alguns ressaltam que também é uma afirmação daquilo que os adeptos pedem ao

usá-la como ‘’dai-me luz’’ (GOULART, 2004)

O mestre Irineu, como ficou conhecido, difundiu a cultura do Daime pelo Brasil, ele

realizava rituais em sua residência, para pequenos grupos, onde buscava na tradição indígena

a forma de realizá-los. Aos poucos foram surgindo músicas que acompanhavam a

consagração, e toda uma ritualística bem definida. Faziam parte da primeira religião

ayahuasqueira além do mestre Irineu, que era chamado de Padrinho por ser aquele que trazia

o ensinamento, os fardados que eram com ajudantes, fiscais, usando uma roupa branca

especial, para auxiliarem os demais durante o ritual (GOULART, 2004).

Com o passar do tempo, foram criadas diversas ramificações dos conceitos originais

moldados de maneiras diferentes, cada uma das vertentes religiosas ayahuasqueira possuem

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conceitos que partilham entre si, e algumas bases ficam por conta do cristianismo, kardecismo

e religiões de matriz africana, junto à conceitos próprios que cada padrinho (responsável por

conduzir a cerimônia) acaba instituindo na sua linha buscando sempre a cura e iluminação

espiritual (CARVALHO, 2020)

A substância se popularizou nos últimos anos e ganhou espaço internacionalmente,

incluindo grupos que se utilizam da bebida em formatos ritualísticos diferentes, mesmo que

ainda tendo alicerce na cultura indígena. Fernandes (2018), denomina esses grupos como

neoayahuasqueiros, e inclui grupos denominados neoxamanistas e xamanistas urbanos, que

segundo o autor buscam em seus rituais conceitos clássicos, respeitam a história e a tradição

da ayahuasca, mas também contam com uma modernização dos ritos sagrados, para ele estas

modalidades não adaptam ou transportam a ritualística indígena para cidade, mas criam algo

do zero, se utilizando de conceitos clássicos alinhados a modernidade.

A FISIOLOGIA DA AYAHUASCA

A ayahuasca causa as alucinações relatadas pelos usuários através da liberação da

substância Dimetiltriptamina (DMT), um potente alucinógeno, no sistema nervoso central. A

DMT está presente na Psycotria viridis, popularmente conhecida como Chacrona, contudo sua

ação é inibida pela ação da enzima Monoamina oxidase (MAO) intestinal e hepática, existente

em nosso organismo (COSTA, FIGUEIREDO E CAZENAVE, 2005)

Aliada a ação da Chacrona o cipó de Mariri, de nome científico Banisteriopsis Caapi,

possui em sua composição o alcaloide b-carbolina, que atua de maneira a inibir a desaminação

intestinal da Dimetiltriptamina, desta forma permite que a DMT seja absorvida e chegue aos

neuroreceptores cerebrais, outra contribuição do cipó é o aumento da dopamina, serotonina,

norepinefrina e epinefrina, criando um efeito sedativo que potencializa os efeitos da DMT, além

do mesmo também possuir propriedades alucinógenas. (COSTA, FIGUEIREDO E CAZENAVE,

2005). Considera-se o estudo da Neuropsicologia como área de estudo que tem compreendido

as funções cognitivas e emocionais do uso de substâncias que agem no sistema nervoso

central e que podem acarretam em benefícios ao corpo e ao cognitivo/mente.

SOBRE A BASE DA NEUROPSICOLOGIA.

O termo Neuropsicologia é recente, e vem ganhando notoriedade aos poucos pelo seu

nicho de estudo, para Mader-Joaquin (2010), um bom profissional clínico possui a habilidade

de compreender e entender as nuances e complexidades do nosso sistema cerebral. A autora

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ainda afirma que junto aos avanços tecnológicos as ciências da saúde também evoluíram, e

hoje é possível ter maior precisão em exames que conseguem produzir respostas mais

palpáveis para como anda o funcionamento do sistema nervoso central em exames que

conseguem produzir respostas mais palpáveis para como anda o funcionamento do cérebro.

Muito do trabalho da Neuropsicologia tem por esteio as avaliações neuropsicológicas,

que são artifícios para testar capacidades e funções cognitivas, assim como analisar o

comportamento do indivíduo. A bateria avaliativa buscou apontar tanto de maneira quantitativa,

quanto qualitativa, diversos aspectos da pessoa, englobando aspectos de atenção, percepção,

memória, linguagem e raciocínio (MADER-JOAQUIM, 2010).

Para Luria (1981) o cérebro humano é um órgão altamente complexo e repleto de

pluralidades que tornam o seu estudo muito rico e importante para compreender o

comportamento humano, assim o trabalho acerca de compreendê-lo deve buscar estar sempre

se atualizando, sem engessar ideais deixando assim aberto para que surjam novas formas de

encará-lo e descobri-lo. Utilizando então a base da Neuropsicologia é possível notar que

durante o ritual com ayahuasca o trabalho cerebral sofre alteração e o indivíduo entra em um

estado que se relaciona ao de atenção plena.

ATENÇÃO PLENA

Levando em consideração os relatos presentes nas obras de Carvalho (2020) e Gomes

(2016), das vivências realizadas com a ayahuasca, pode se observar um padrão onde todo o

foco dos participantes está direcionado a ritualística, esse processo possui variáveis tempos de

duração, contudo pode ser caracterizado com um período em que o indivíduo está em um

estado de atenção plena.

Malero (2020) nos apresenta uma definição de atenção plena com apoio na literatura de

Erik Dane (2011), onde o autor descreve e define atenção plena como um estado de foco

absoluto, onde toda a energia de concentração do indivíduo se volta a tarefa a ser realizada,

ignorando fatores externos e internos que não estejam relacionados ao momento presente,

criando um estado em que o único interesse passa a ser o momento, não é algo característico

e não requer obrigatoriamente uma preparação meditativa, ficando assim ao alcance de muitas

pessoas.

O autor continua salientando que a técnica da atenção plena passou a ser incorporada

em diversos programas de tratamentos de saúde mental, sendo relacionada a técnicas já

existentes, auxiliando na redução de estresse, ansiedade, depressão e até mesmo em casos

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de transtornos alimentares, propiciando ainda aumentos na área da memória e criatividade

(2020).

Malero (2020) ainda citando Erik Dane, ressalta que a maneira como é direcionada a

atenção afeta significativamente o desempenho cognitivo, melhorando a flexibilidade mental, o

estado de alerta e a capacidade de resistir a distrações e erros. Desse modo, a prática da

atenção plena permite observar eventos de forma imparcial e objetiva, aprimorando a tomada

de decisões estratégicas, a detecção de possíveis riscos e a percepção dos recursos-chave

disponíveis. Ademais, a atenção plena facilita a regulação efetiva dos pensamentos, emoções

e reações fisiológicas, contribuindo para um maior equilíbrio emocional e bem-estar geral.

De forma objetiva, o trabalho realizado durante o ritual com ayahuasca, serve como um

momento em que o indivíduo passa a estar em um estado de atenção plena e trabalha

emoções que estão presentes em sua personalidade, mas que não podem ser acessadas,

durante a ritualística o indivíduo consegue alterar sua percepção sobre os eventos de sua vida,

conseguindo trabalhar com eles/as de outra maneira.

Partindo do ideal de que o trabalho realizado durante o período de atenção plena

fornece resultados ao indivíduo após o ritual, e que ele surge pela mudança de percepção do

indivíduo sobre si mesmo foi elaborado um questionário para levantar dados sobre a qualidade

de vida das pessoas após o uso do chá.

O questionário foi construído a partir da caracterização da qualidade de vida segundo o

ministério da saúde, que afirma que qualidade de vida envolve aspectos de ‘’bem-estar

espiritual, físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como

família e amigos’’. A pesquisa foi organizada com critérios de exclusão que filtravam os

participantes, assim todas as respostas são de indivíduos que utilizaram a bebida ao menos 3

vezes, com intervalos inferiores a três meses entre cada uso, maiores de idade e que

consumiram a bebida durante um ritual religioso, sem estarem sobre o efeito de quaisquer

outras drogas. Em seguida serão melhores detalhados e discutidos os dados coletados

atrelados as teorias centrais de discussão nessa pesquisa: a Neuropsicologia e a Psicologia

Corporal Reichiana.

ANÁLISE E DISCUSSÕES

A pesquisa recebeu 35 respostas, destas, 8 não preencheram os requisitos de

inclusão da pesquisa, principalmente em relação a frequência de uso onde afirmaram fazer o

uso de ayahuasca com intervalos superiores a três meses, assim não obtendo a constância

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necessária para a validação de suas respostas. Os dados coletados das demais respostas

serão analisados aqui.

Dos critérios de inclusão, a média de idade dos entrevistados é de 36 anos, tendo 18

anos o indivíduo mais novo e 60 o mais velho, 18,5% deles/as afirma ter utilizado entre 3 e 9

vezes a bebida, enquanto os 81,5% restantes fizeram o uso mais de dez vezes. Foi perguntado

também a frequência de uso do chá, onde 74,1% afirma usar mensalmente, enquanto 11,1%

usa de maneira semanal e os 14,8% restantes usam com intervalo inferior a 3 meses.

Todos/as os/as participantes afirmaram que realizaram o uso da bebida durante um

ritual religioso, assim como, sem estarem sobre a influência de nenhuma outra substancia

psicoativa alucinógena (Ex. LSD), entorpecente (Ex. bebidas alcoólicas) ou medicamentosa,

que poderiam interferir na atuação da ayahuasca.

Assim foi realizada a pesquisa, de maneira online através da ferramenta Formulários,

entre os dias 24 de maio e 27 de maio, obtendo 35 respostas, destas, 27 se encaixaram nos

critérios inclusivos e foram levadas em consideração para a discussão deste trabalho.

AVALIAÇÃO DO PÓS USO

As perguntas foram divididas em blocos, o primeiro bloco se refere a saúde física, e

compreende 3 perguntas, 55,6% dos participantes afirmaram que iniciaram a prática de

exercícios físicos após o uso da bebida, com relação à segunda pergunta, ‘’começou a ir

caminhando a lugares que antes não iria caminhando, procurando realizar mais atividades

físicas durante o dia a dia? ’’ Os resultados foram similares comparada a primeira pergunta,

com 66,7% das respostas sendo afirmativas, contudo nesse bloco o dado que chama mais

atenção é em relação a hábitos saudáveis, pois 100% dos participantes afirmaram que

passaram a dar prioridade a alimentos mais saudáveis.

O segundo bloco é relacionado a saúde mental, compreendendo duas perguntas, na

primeira todos/as o/as participantes afirmaram que passaram a reservar um tempo maior a

prática de atividades e hobbies que gostam, todos/as eles/as também afirmaram que se

dedicam a passar um maior tempo de qualidade com seus familiares e amigos próximos.

O terceiro bloco é em relação a saúde mental nas tarefas e interações cotidianas, aqui

também existem três perguntas, a primeira se refere ao ambiente de trabalho, onde todos/as

o/as participantes afirmaram ter buscado melhorar suas relações interpessoais com seus

colegas, 96,3% deles/as também afirmam que aumentaram sua produtividade, realizando

tarefas que antes deixaria para depois, os mesmos 96,3% dos entrevistados/as também

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responderam que se sentem menos estressados/as com situações que antes os deixavam fora

do sério.

O último bloco possui duas perguntas relacionadas à fé, na primeira, todos/as o/as

participantes responderam que buscaram aproximação com a sua fé, na segunda 81,5 das

respostas afirmaram que passaram a frequentar lugares religiosos, como igrejas, templos e

terreiros. Ainda foi realizada uma pergunta sobre o uso de medicamentos, foi indagado se após

o uso de ayahuasca, por indicação médica, o indivíduo parou de utilizar algum medicamento,

onde 51,9% responderam que sim, enquanto 37% disseram que a pergunta não se aplicava a

eles/as, os demais (11,1%) responderam que não.

Com esse levantamento de dados é possível observar com clareza que os impactos da

ayahuasca são positivos, todas as perguntas tiveram respostas satisfatórias, inclusive com

algumas tendo a totalidade de respostas positivas, através destes dados é possível avaliar que

o uso da bebida criou um efeito positivo no cotidiano de pessoas com perfis variados de idade,

gênero e crenças auxiliando-as em diferentes áreas de sua vida.

Obtendo o esteio dos dados a pergunta central deste artigo pode começar a encontrar

resolução, as questões farmacológicas que envolvem seus efeitos fisiológicos não têm espaço

para serem discutidas aqui, uma vez que os dados não conseguem apresentar informações

relativas a questões mais complexas do organismo humano por este não ser o objetivo na

pesquisa, contudo, ao falar sobre a Psicologia Corporal à uma estreita relação que pode ser

criada, abrindo um novo caminho para o trabalho com ayahuasca.

POR FIM: A CONEXÃO CORPO E MENTE NA TEORIA REICHIANA

Pela perspectiva da teoria Reichiana o principal foco de intervenção é no que diz

respeito ao desenvolvimento da consciência corporal, ou seja, a compreensão de que o corpo

é elemento fundamental da experiência psicológica emocional do ser.

Reich argumentava que o corpo atua como depósito de traumas, emoções e

experiências que o indivíduo vivencia durante a vida, e que é necessário trabalhar o corpo para

liberar as emoções que estão reprimidas. (QUADROS, 2017)

Por sua vez, a milenar ayahuasca vem sendo associada a diversos efeitos

terapêuticos, incluindo a expansão e o acesso a estados alterados de percepção e consciência,

assim como relata Gomes (2016) ao citar experiências de indivíduos que realizaram

tratamentos com o daime. A bebida acumula a fama de proporcionar estados alterados de

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percepção e consciência, que podem auxiliar os indivíduos a acessar emoções e traumas

reprimidos, permitindo-lhes trabalhar com esses conteúdos emocionais e psicológicos.

Desta maneira é possível estabelecer uma relação entre a teoria de Reich e a prática

associada a ayahuasca, associando o fato de que ambos buscam trabalhar com o corpo como

forma de acessar e liberar emoções reprimidas, assim este estudo buscou mostrar que após as

vivencias com a medicina sagrada o indivíduo consegue trabalhar melhor com seus próprios

propósitos, buscando por si próprio melhorar sua qualidade de vida, encontrando nesse

autocuidado uma forma de melhorar sua saúde e consequentemente sua saúde mental.

Ao pensar em possibilidades ainda é cedo para utilizar o termo terapêutico para o vinho

das almas, contudo, a teoria corporal apresenta-se alinhada com propostas da filosofia

xamânica, o trabalho com o corpo que pode ser encontrado em uma sala de terapia ou em uma

roda de dança, o destravamento das couraças, que pode ser aliado a um trabalho ritualístico

em atenção plena. Porem de qualquer maneira ainda não há como apontar um uso

completamente seguro da ayahuasca, demanda-se de mais estudos em diversas áreas para

que a discussão se fortaleça e ganhe respaldo, mas, é inegável o potencial que a bebida tem

para se tornar um instrumento com finalidade terapêutica, ainda mais se somado ao

conhecimento da Psicologia Corporal.

Referências

BRASIL, Constituição Federal da República. Arts. 1◦, III, 5◦, VI. 1988.

CARVALHO, B. A. A produção de sentido pela experiência psicodélica: uma análise
existencialista dos efeitos da ayahuasca. União da Vitória: Ugv-Centro Universitário, 2020.

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abordagem toxicológica do uso ritualístico. São Paulo: Archives of Clinical Psychiatry, 2005.
Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-60832005000600001

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em: < https://www.academia.edu/37813678/Psicologia_Corporal_Reichiana>

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GOULART, S. L. A construção de fronteiras religiosas através do consumo de um
psicoativo: as religiões da ayahuasca e o tema das drogas. Florianópolis: V Reunião de
Antropologia do Mercosul (RAM), 2003.

LURIA, A. R. Fundamentos da neuropsicologia. São Paulo: Editora da Universidade de São
Paulo. 1981.

MÄDER-JOAQUIM, M. J. O Neuropsicólogo e seu paciente: Introdução aos princípios da
avaliação neuropsicológica. In: MALLOY-DINIZ, L. F. (org.) Avaliação Neuropsicológica.
Porto Alegre: Artmed, 2010. pp.46 – 57.

MALERO, C. A. L. Atenção plena e alto desempenho profissional: Uma revisão de
literatura nos últimos dez anos. Presidente Prudente: Revista Saber Acadêmico. 2020.

AUTOR

Vinícius Eduardo Damacena / Porto União / SC / Brasil
Acadêmico do 9º período do Curso de psicologia do Ugv-Centro Universitário, Co-apresentador
do programa Psico no Ar, da rádio Educadora Uniguaçu e Presidente da Associação Atlética
Acadêmica de Psicologia da Ugv.
E-mail: psi-viniciusdamacena@ugv.edu.br

ORIENTADORA

Natalie de Castro Almeida / União da Vitória / PR / Brasil
Psicóloga (CRP-08/14288) e Neuropsicóloga (CRPPR), Perita em Psicologia do Trânsito,
Especialista em Neuropsicologia e Psicologia do Trânsito, Mestra em Educação (UNICENTRO
PR), Docente de Ensino Superior (UGV) Curso de Psicologia e Psicóloga Clínica.
E-mail: psicologianatalie@gmail.com

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Referências

BRASIL, Constituição Federal da República. Arts. 1◦, III, 5◦, VI. 1988.
CARVALHO, B. A. A produção de sentido pela experiência psicodélica: uma análise
existencialista dos efeitos da ayahuasca. União da Vitória: Ugv-Centro Universitário, 2020.
COSTA, M. C. M., FIGUEIREDO, M. C., & CAZENAVE, S. de O. S. Ayahuasca: uma
abordagem toxicológica do uso ritualístico. São Paulo: Archives of Clinical Psychiatry, 2005.
Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-60832005000600001
QUADROS, E. M. Psicologia Corporal Reichiana. Universidade do Algarve, 2017. Disponível
em: < https://www.academia.edu/37813678/Psicologia_Corporal_Reichiana>
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Antropologia do Mercosul (RAM), 2003.
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avaliação neuropsicológica. In: MALLOY-DINIZ, L. F. (org.) Avaliação Neuropsicológica.
Porto Alegre: Artmed, 2010. pp.46 – 57.
MALERO, C. A. L. Atenção plena e alto desempenho profissional: Uma revisão de
literatura nos últimos dez anos. Presidente Prudente: Revista Saber Acadêmico. 2020.

Sobre o(s) autor(es)

Vinícius Eduardo Damacena
Acadêmico do 9º período do Curso de psicologia do Ugv-Centro Universitário, Co-apresentador do programa Psico no Ar, da rádio Educadora Uniguaçu e Presidente da Associação Atlética Acadêmica de Psicologia da Ugv

Natalie de Castro Almeida
Psicóloga (CRP-08/14288) e Neuropsicóloga (CRPPR), Perita em Psicologia do Trânsito, Especialista em Neuropsicologia e Psicologia do Trânsito, Mestra em Educação (UNICENTRO PR), Docente de Ensino Superior (UGV) Curso de Psicologia e Psicóloga Clínica.

Como citar este trabalho

DAMACENA, Vinícius Eduardo; ALMEIDA, Natalie de Castro. Vinho das almas. In: Anais do Congresso Brasileiro de Psicoterapias Corporais, 2023. Curitiba: Centro Reichiano. Disponível em: https://centroreichiano.com.br/anais/vinho-das-almas-como-o-uso-da-ayahuasca-vinicius-damacena-e-natalie-almeida/. Acesso em: 13/10/2026.