Mandalas
Explorando a expressão e o autoconhecimento através da arte e da psicologia
Mandalas
Exploring expression and self-knowledge through art and psychology
Resumo
Palavras-chave: Arteterapia; Autoconhecimento; Emoções; Inconsciente; Mandalas; Psicologia; Terapia corporal.
Abstract
Keywords: Art therapy; Self-knowledge; Emotions; Unconscious; Mandalas; Psychology; Body psychotherapy.
Os mandalas, do sânscrito “círculos”, são representados por formas concêntricas organizadas a partir de um ponto central, tais estruturas circulares são carregadas de significados simbólicos e são amplamente utilizados em diversas culturas como instrumentos de conexão espiritual, meditação e representação da totalidade do ser. Na psicologia analítica, Carl Gustav Jung identificou nos mandalas um recurso para a expressão do self, representando a unidade, a harmonia e o centro organizador da psique. Assim, o estudo dos mandalas transcende o aspecto estético e artístico, alcançando camadas profundas do autoconhecimento e da espiritualidade.
Os mandalas estão presentes nas mais remotas culturas e em diferentes continentes, consistindo em estruturas ou imagens circulares, cujo nome advém do sânscrito e significa centro, circunferência ou círculo (Jung, 2011b).
Os mandalas não estão apenas nos desenhos ritualísticos ou terapêuticos, mas também se manifestam abundantemente na natureza. A organização dos flocos de neve, a disposição das sementes em um girassol, os anéis de crescimento das árvores, a forma das flores e até os movimentos circulares dos astros são exemplos de mandalas naturais. O próprio corpo humano abriga estruturas “mandálicas” como por exemplo as células e os centros energéticos (chacras), que também podem ser considerados uma forma de mandala.
A geometria sagrada, por sua vez, estuda essas formas e padrões que se repetem na natureza e que carregam significados espirituais e metafísicos. A mandala é um dos principais elementos da geometria sagrada, representando a interconexão entre todas as coisas e a harmonia do universo. A Flor da Vida, o Cubo de Metatron e o Círculo de Vênus são exemplos de padrões geométricos que contêm estruturas mandálicas e são utilizados para meditação, cura e elevação espiritual.
Exemplos de mandalas naturais incluem o Sol e a Lua, que influenciam diretamente os ciclos da vida na Terra. O Sol, com sua forma circular representa energia, vitalidade e consciência. A Lua, por sua vez, simboliza o inconsciente, o feminino e os ciclos de transformação. As flores, como os lótus, margaridas e girassóis, também contêm formas mandálicas em sua organização, revelando a beleza e a inteligência implícita nos padrões naturais. Compreender as mandalas como expressões simbólicas da natureza e da geometria sagrada permite uma reconexão com os ciclos naturais e com o próprio centro interior. Seja na arte, na meditação ou na observação dos elementos da vida cotidiana, os mandalas oferecem caminhos para a interiorização, a cura e o alinhamento com uma sabedoria ancestral e universal.
Ademais, o uso dos mandalas em contextos terapêuticos contemporâneos tem se mostrado eficaz na promoção da saúde emocional. No campo da arteterapia, por exemplo, a criação espontânea de mandalas permite que o indivíduo expresse seus sentimentos de forma simbólica e não verbal, favorecendo a compreensão de aspectos inconscientes e o fortalecimento da autoestima. Ao desenhar, o indivíduo pode experimentar um estado meditativo, reduzindo a ansiedade, o estresse e promovendo o bem-estar.
Vivenciar os mandalas é um convite a reconhecer a presença do divino em todas as formas de vida, percebendo a existência como um fluxo cíclico, dinâmico e interconectado. Ao incorporarmos esse olhar simbólico e sagrado em nossa vida cotidiana, podemos ampliar nossa percepção sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre o universo como um todo.
Na psicologia analítica, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung foi um dos principais estudiosos a integrar o conceito de mandala no campo psicológico. Para Jung, a mandala era uma expressão do self, a totalidade da psique, que abrange tanto o consciente quanto o inconsciente. O ato de desenhar mandalas durante os momentos de crise interior, segundo Jung, simbolizava um processo natural de busca pela reorganização psíquica. Seu primeiro contato com as mandalas deu-se em um momento de intensa introspecção, após o seu rompimento com Freud. Desde então ele passou
a desenhar mandalas, até mesmo quando serviu ao exército Suíço, e definiu como um período de confrontação ao inconsciente.
Ele observou que seus pacientes, ao desenharem mandalas espontaneamente, conseguiam acessar aspectos profundos da psique, promovendo equilíbrio interno, autoconhecimento e um senso de completude. Assim, o estudo dos mandalas transcende o valor estético e atinge dimensões terapêuticas significativas.
Nos registros da história da humanidade, esta estrutura aparece como o símbolo universal e essencial da harmonia, integração e transformação, representando, também, o potencial criativo do indivíduo, em suas expressões e comunicações (CATARINA. 2009).
O processo de criação de um mandala é, por si só, uma prática de autoconhecimento, ao escolher cores, formas, padrões e composições, o indivíduo projeta de forma simbólica seus estados internos, muitas vezes sem se dar conta disso de forma consciente. A análise desses elementos pode revelar sentimentos reprimidos, conflitos internos, desejos latentes e até mesmo fases do ciclo de vida emocional. Esta construção exige concentração, presença e atenção ao momento presente, durante esse processo, o criador se conecta com seu mundo interior de maneira espontânea e não verbal, acessando camadas profundas do inconsciente, por isso, o mandala é frequentemente utilizada em contextos terapêuticos como recurso de escuta simbólica.
O mandala visualizada enquanto expressão artística, transforma-se em um potente veículo de manifestação da subjetividade. O uso de materiais como tintas, aquarelas, lápis de cor e pincéis desperta a sensibilidade estética e estimula a criatividade, usando diferentes texturas, olhares e percepções.
Nesse processo tão bonito, a arte deixa de ser apenas um fim em si mesma e torna-se um caminho de revelação e cura. Ter contato com uma mandala é ter um vínculo terapêutico, um convite à escuta interna e à conexão com aspectos profundos do ser. Ao contemplá-la ou criá-la, o indivíduo acessa camadas simbólicas que dialogam com suas emoções, memórias e vivências inconscientes. A mandala oferece uma estrutura segura e acolhedora para a expressão livre, funcionando como um espelho da alma e um guia no processo de autoconhecimento. Nesse espaço simbólico e criativo, é possível reorganizar o mundo interno, encontrar sentido nas experiências e promover uma reconciliação entre mente, corpo e espírito.
A arte ajuda o indivíduo a se autoconhecer e se comunicar de uma outra maneira que não seja a verbal, pois, algumas vezes se comunicar verbalmente não é o suficiente para expressar seus sentimentos de forma íntegra e a criação artística pode auxiliar para que isso aconteça. (Botton, 2014, citado em Ciasca, 2017).
Referências
FINCHER, S. F. O Autoconhecimento Através das Mandalas. São Paulo: Pensamento, 1991.
FIORAVANTI, C. Mandalas, Como Usar a Energia dos Desenhos Sagrados. São Paulo: Pensamento, 2017.
GREEN, S. El Livro de los mandalas del mundo. Santiago, Chile: Océan Âmbar, 2005.
JUNG, C. G. Mandala, imagens do Inconsciente. Rio de Janeiro: Vozes, 2025.
JUNG, C. G. O Homem e Seus Símbolos. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2016.
JUNG, C. G. Os arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis: Vozes, 2002.
Sobre o(s) autor(es)
Amanda Martins Monteiro Hamada
Graduanda em Psicologia, Terapeuta Integrativa e Complementar. Especialista nas Terapias de Apometria Lunar, Tameana e TamaTaie. Ofereço ainda no meu portfólio outras técnicas como Reiki Usui e Dragon (com título Master), Aromaterapia e Cromoterapia. Integro conceitos científicos ao meu trabalho terapêutico, enriquecendo minhas práticas e ampliando a minha capacidade de cuidar. E-mail: monteiromamanda@gmail.com.br
José Henrique Volpi
Psicólogo (CRP-08-3685), Especialista em Psicologia Clínica, Anátomo-Fisiologia, Hipnose Ericksoniana, Psicodrama e Brainspotting. Psicoterapeuta Corporal Reichiano, Analista psico-corporal Reichiano formado com o Dr. Federico Navarro (Vegetoterapia e Orgonoterapia). Especialista em Acupuntura clássica e Método Ryodoraku (eletrodiagnóstico computadorizado de medição da energia dos meridianos do corpo). Mestre em Psicologia da Saúde. Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento. E-mail: volpi@centroreichiano.com.br