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O equilíbrio da energia orgone no indivíduo durante a prática do canto coral

The balance of orgone energy in the individual during choral singing practice


Luciane Wendt Antunes de Souza
Centro Reichiano · Pará de Minas-MG · Brasil
José Henrique Volpi
Centro Reichiano · Curitiba-PR · Brasil
Revista Científica Eletrônica de Psicologia Corporal
v. 26 · 2025 · p. 55-62 · e-ISSN 3086-1438
Recebido: 13 jun. 2026 · Publicado: 13 jun. 2026

Resumo

Wilhelm Reich propôs que o organismo humano possui sete segmentos ligados entre si, por onde flui a energia orgone, energia esta presente na natureza e em todos os organismos vivos. Quando um ou mais segmentos apresentam tensões musculares crônicas, o fluxo energético é comprometido, podendo ocasionar desequilíbrios físicos e emocionais. Nesse contexto, a música constitui importante recurso mobilizador da energia vital, especialmente no caso do canto. A prática do canto coral promove a movimentação de energias estagnadas, uma vez que mobiliza músculos relacionados aos diferentes segmentos corporais, favorecendo prazer, expressão emocional e integração psicocorporal. Além disso, o ato de cantar coletivamente possibilita sintonia energética entre os participantes, fortalecendo vínculos afetivos e estados de autorregulação. O presente trabalho busca estabelecer um paralelo entre o pensamento reichiano sobre a energia orgone e os efeitos produzidos pela música, especialmente durante a prática do canto coral, evidenciando suas possíveis contribuições para o equilíbrio energético e emocional do indivíduo.

Palavras-chave: Canto; Coral; Energia; Música; Orgone.


Abstract

Wilhelm Reich proposed that the human organism is composed of seven interconnected segments through which orgone energy flows, a form of energy present in nature and in all living organisms. When one or more segments develop chronic muscular tensions, the energetic flow becomes impaired, potentially leading to physical and emotional imbalances. Within this context, music constitutes an important resource for mobilizing vital energy, especially through singing. The practice of choral singing promotes the movement of stagnant energies, as it activates muscles associated with different body segments, fostering pleasure, emotional expression, and psychocorporal integration. Furthermore, the act of singing collectively enables energetic attunement among participants, strengthening emotional bonds and states of self-regulation. The present study seeks to establish a parallel between Reichian thought regarding orgone energy and the effects produced by music, particularly during the practice of choral singing, highlighting its potential contributions to the individual's energetic and emotional balance.

Keywords: Singing; Choir; Energy; Music; Orgone.


Introdução

Atuo como coralista desde a infância até os dias atuais. Iniciei a experiência em corais da igreja católica, posteriormente fui integrante no Coral da UFV (Viçosa, MG) e, desde 2013 até o presente momento, sou regente do Coral Dom Maior da Escola Municipal de Música Geraldo Martins em Pará de Minas, MG onde sou também professora de técnica vocal. Tais vivências me possibilitaram vivenciar e observar em mim mesma e nos meus alunos, inúmeras dificuldades para uma livre expressão vocal devido à falta de autopercepção dos cantores e também bloqueios dos segmentos das couraças. Assim como, no decorrer do tempo, observa-se que através dos exercícios e das vivências de canto coletivo, os alunos ganham maior consciência corporal e qualidade vocal, além de relatar o bem-estar após as aulas e ensaios do coral.

O coral reúne alunos iniciantes e inexperientes com alunos mais experientes e autoconscientes no que diz respeito à consciência corporal e emissão da voz. Durante os ensaios, gradativamente vai ocorrendo um equilíbrio, uma equalização das vozes, como se todos se tornassem um único instrumento. Dessa inteiração e conexão, os alunos compartilham – emitem e também absorvem – energia, promovendo-se assim um equilíbrio energético de cada corpo e mente. Pela minha experiência, podemos dizer que o cantar promove uma liberação e partilha da energia Orgone.
O objetivo geral deste trabalho é traçar um paralelo entre o pensamento reichiano sobre a energia Orgone e a energia liberada pela música, especialmente pelo canto em grupo.

Método

Para a elaboração deste artigo, o método utilizado foi de pesquisa qualitativa, com levantamento bibliográfico e documental, buscando o embasamento em artigos científicos que discorrem sobre influência da música, especialmente a cantada em grupo e sua relação com a energia orgone que flui pelo organismo humano conforme os ensinamentos de Wilhelm Reich.
Segundo Gil (2002, p.44):

[…] a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho dessa natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Boa parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisas bibliográficas. As pesquisas sobre ideologias, bem como aquelas que se propõem a uma análise das diversas posições acerca de um problema, também costumam ser desenvolvida quase exclusivamente mediante fontes bibliográficas. (GIL, 2002, p.44)

Quanto a pesquisa documental, torna-se positiva para o desenvolvimento da pesquisa, por segundo Gil (2002, p.46), “considerar que os documentos constituem fonte rica e estável de dados. Como os documentos subsistem ao longo do tempo, tornam-se a mais importante fonte de dados em qualquer pesquisa de natureza histórica”.

Música é energia e o canto implica em movimentar tal energia

Segundo Cantarelli e Volpi (2018, p.8), “a música favorece o indivíduo em razão de seus múltiplos estímulos, biológicos, fisiológicos e psicológicos, pois fazendo música acaba-se por influir no ritmo dos pensamentos e emoções, e assim, na harmonia da saúde corporal e mental”.
Já para Tame (1984, p.13), “sempre que estivermos no campo audível da música, sua influência atuará constantemente sobre nós – acelerando ou retardando, regulando ou desregulando as batidas do coração; relaxando ou irritando os nervos; influindo na pressão sanguínea, na digestão e no ritmo da respiração.” Ao mencionar o papel fundamental da música nas civilizações, em todo o mundo antigo e em algumas partes até os dias atuais, Tame (1984, p.24) explica que: “a música libera, no mundo material, uma energia fundamental, superfisica, que vem de fora do mundo da experiência cotidiana”. Tame (1984, p.24) percebeu também que a voz cantada ou falada em rituais “transforma-se num veículo através do qual manifesta suas forças a Voz energizante do Criador”. Seja através da escuta, da prática de instrumentos musicais ou do canto, a música traz benefícios ao corpo e mente dos indivíduos, porém, o ato de cantar é ainda mais poderoso.

Traçando um paralelo do pensamento sobre a energia liberada pela música com o pensamento reichiano sobre a energia orgone, percebe-se que a música movimenta a energia Orgone no indivíduo, assim como no ambiente onde a música está sendo executada. Como bem explica Volpi (2022, p.33), “o pensamento reichiano, não existe nada que seja completamente separado. Estamos em constante ligação com a natureza e com tudo o que dela faz parte, formando um único campo de energia”. E complementa dizendo que de acordo com Reich “pode-se demonstrar a energia orgone em todo lugar, pois ela está presente em tudo”.

Circulação e bloqueio da energia orgone no organismo humano

Ao refletir sobre a experiência energética ocorrida na prática do canto, pode-se concluir que trata-se do orgone, que Reich pesquisou incansavelmente. Como explica Chagas (1997, p.17) o orgone é a bioenergia dos processos físicos-mentais e “todos trazemos determinada quantidade e qualidade de bioenergia.” Tal energia, segundo Reich apud Chagas (1997, p.17), no indivíduo saudável (caráter genital) está disponível em todo o corpo, mas havendo interferências no desenvolvimento humano poderão obstruir o “fluxo do orgone, resultando em distúrbios energéticos manifestados corporal e psiquicamente” (Chagas, 1997, p.17)

De acordo com Navarro (1996), apud Cantarelli e Volpi (2018, p.2):

A circulação energética do organismo humano flui livremente da cabeça aos pés e retorna, fato que provoca uma boa condição de saúde, porém, quando ocorre uma inversão dessa circulação ou sua estase em alguns níveis corporais, provocará manifestações patológicas. O autor cita que Wilhelm Reich propôs a “divisão do corpo em sete níveis, respectivamente: – ouvidos, olhos, nariz; – boca; – pescoço; – tórax; – diafragma; – abdômen; – e pélvis. Os níveis são contínuos no aspecto funcional energético, ressentindo-se da respectiva carga energética.

Segundo Fragoso e Volpi (2019, p.1), a escola reichiana ensina que “as resistências e conflitos psíquicos tem uma íntima relação com as tensões musculares” e explicam que Reich percebeu que “essas tensões estariam localizadas nos sete níveis segmentares ligadas entre si, provocando ali uma estase (acúmulo) energética ou uma falta energética, ocasionando um bloqueio da energia e consequentemente alterações no funcionamento da pulsação energética” (Fragoso; Volpi, 2019, p.2). Assim, “a energia que deveria seguir o movimento de tensão, carga, expressão, descarga e relaxamento, não acontece inteiramente” (Fragoso e Volpi, 2019, p.2).

A circulação energética do organismo que canta

O ato de cantar movimenta diversos segmentos de couraça, pois ativa em todos os segmentos, músculos e órgãos que juntos formam o aparelho fonador. Segundo bem explica Campos (2007, p.07), o fenômeno de fonação ocorre principalmente através dos seguintes “sistemas, funções e mecanismos orgânicos”: “Respiração e sopro fonatório” (órgãos e músculos envolvidos na captação e saída do fluxo de ar), “laringe e geração do som” que são os vibradores do som (pregas vocais localizadas na laringe), “cavidades de ressonância”, que são os ressonadores (pontos do corpo onde o som se amplia no volume e na qualidade dos harmônicos), “órgãos articuladores” (mandíbula, língua, palato, faringe) e os órgãos do “controle e regulagem do fenômeno vocal”, que envolve o controle auditivo, o controle cinestésico e o controle proprioceptivo.

Complementando a noção de que o ato de cantar envolve diversos segmentos de couraça e que os bloqueios nas mesmas são perceptíveis e prejudicam uma emissão saudável e de boa qualidade, Gomes e Felipo (2004, p.2) explicam que “a voz está tão intimamente vinculada à personalidade que é possível diagnosticar a neurose do indivíduo a partir de uma análise de sua voz.” e completam: “para que a pessoa recupere seu potencial completo de autoexpressão, é importante que conquiste o uso pleno de sua voz, com todos os registros e em todas as suas nuances de sentimento.”

Segundo Campos (2007, p. 48) “a boa realização de todos os parâmetros da fonação e articulação no canto dependerá fundamentalmente da percepção do cantor do funcionamento e movimentação do próprio corpo”. Isto posto, percebe-se que havendo um desbloqueio ou flexibilização das couraças através de exercícios que movimentam todos estes sistemas, funções e mecanismos orgânicos, o corpo canta melhor, com toda sua energia, domínio e direcionamento desta energia para a produção da melhor voz que este corpo é capaz de emitir.

Scarpin (2006, p.39) explana sobre a relação entre a música e a psicologia corporal, e explica que Reich “percebia que as resistências de caráter de cada paciente não eram expressas apenas no conteúdo trazido por ele, mas também na fala, nos movimentos, no corpo.” E conclui: “o corpo é som, é ritmo, é melodia, é movimento, é música. A respiração, os batimentos cardíacos, o caminhar, o falar, o agir são ritmos corporais; a voz é melodia; cabeça, tronco e membros são movimento.” (Scarpin, 2005, p.48 apud Scarpin, 2006, p.39)

Boadela, apud Chagas (1997, pag.26) explica que: “a experiência energética do cantar facilita a integração entre o fluxo da cabeça, dos órgãos internos do corpo e da coluna, braços e pernas. Cantar ajuda a juntar ação, emoção e pensamento, facilitando o contato direto com as sensações físicas, com os sentimentos e com a mais profunda sensação de ser o que se é”.

Gomes e Felipo (2004, p.2) explicam que “o bloqueio de qualquer sentimento afetará sua expressão vocal.” E complementam que “é preciso desbloquear os sentimentos, contudo, é também necessário trabalharmos especificamente com a produção do som para eliminar as tensões que existem em redor do aparato vocal” (Gomes e Felipo, 2004, p. 2)

Canto coral e a energia orgone

O ato de cantar, provoca no indivíduo uma movimentação em todo o corpo em todos os segmentos, encontrando as couraças, podendo com o tempo e prática, promover uma flexibilização das mesmas, havendo assim uma melhora do fluxo do orgone e permitindo ao indivíduo entregar-se ao prazer da livre expressão de suas sensações e sentimentos através da carga (inspiração) e descarga (expiração) da energia de seu corpo na emissão de sua voz.

Esta descarga da energia orgone durante o ato de cantar em coral permite entre os integrantes deste grupo, uma troca, um equilíbrio, uma equalização desta energia emitida e compartilhada entre os mesmos. Godói (2022, p.26), corrobora este pensamento ao dizer que “participar de um grupo que executa, trabalha músicas vocais conhecidas, faz com que a ponte entre os lados cerebrais seja fortificada, liberando os hormônios de prazer, o que gera o bem estar físico e psicológico.”

Passos (2018, p.135) explica que “o conceito de música parece estar próximo da máxima “música é energia”, cujo efeito entra e sai das pessoas afetando seus corpos sutis de forma diferente para cada uma delas. Ao mesmo tempo, é atribuída à música a mediação da sincronia de pensamentos, emoções e “estados presenciais” para o cuidado coletivo”.

Considerações finais

A energia Orgone está em tudo, portanto, também é presente no organismo humano e quando neste não flui livremente, devido a bloqueios energéticos oriundos de resistências ou conflitos psíquicos causados pela experiência humana desde o ventre materno, ocorrem os distúrbios físicos e mentais. A música interfere na circulação da energia do corpo, seja ouvindo, tocando um instrumento ou cantando, sendo que o ato de cantar é o que movimenta todos os seguimentos que o pensamento reichiano identificou do organismo humano, liberando o fluxo do Orgone deste organismo. Percebe-se, pela revisão de literatura, que a prática do canto coral promove uma sincronia e partilha da energia Orgone que é gerada nos corpos dos cantores, através do prazer de cantar em grupo.

Referências

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CANTARELLI, Estela Maris L.; VOLPI, José Henrique. O uso de instrumentos
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Sobre o(s) autor(es)

Luciane Wendt Antunes de Souza

Bacharel em Direito (UFV-MG). Professora de Técnica Vocal e Canto Coral na Escola Municipal de Música Geraldo Martins (Pará de Minas-MG). Consteladora Familiar (curso EaD Viva Conscientemente). Formada em Licenciatura EaD em Música (UNITAU-SP) e Pós-Graduação Lato Sensu EaD em Cantoterapia (UNYLEYA). Cursando Especialização EaD em Psicologia Corporal, com habilitação para atuar como Terapeuta e Analista Corporal de abordagem Reichiana e Bioenergética, pelo Centro Reichiano, Curitiba/PR. uka_uba@yahoo.com.br

José Henrique Volpi

Psicólogo (CRP-08-3685), Especialista em Psicologia Clínica, Anátomo-Fisiologia, Hipnose Ericksoniana, Psicodrama e Brainspotting. Psicoterapeuta Corporal Reichiano, Analista psico-corporal Reichiano formado com o Dr. Federico Navarro (Vegetoterapia e Orgonoterapia). Especialista em Acupuntura clássica e Método Ryodoraku (eletrodiagnóstico computadorizado de medição da energia dos meridianos do corpo). Mestre em Psicologia da Saúde. Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento. volpi@centroreichiano.com.br

Como citar este artigo:

SOUZA, Luciane Wendt Antunes de; VOLPI, José Henrique. O equilíbrio da energia orgone no indivíduo durante a prática do canto coral. Revista Científica Eletrônica de Psicologia Corporal, Curitiba, v. 26, p. 55-62, 2025. e-ISSN 3086-1438. Disponível em: https://centroreichiano.com.br/artigos/o-equilibrio-da-energia-orgone-no-individuo-durante-a-pratica-do-canto-coral/. Acesso em: 02/06/2026.