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Reich incomodou muitos colegas da sua época. E até hoje incomoda! Mas teve muito respeito por alguns de seus seguidores que continuaram junto dele até o fim de sua vida. Outros desligaram-se de sua escola para criar sua própria metodologia de trabalho.

Reich é considerado o pai das psicoterapias corporais e a partir de seus ensinamentos, muitas outras abordagens foram surgindo ampliando assim o leque das escolas que fazem parte da Psicologia Corporal.

Segue abaixo alguns expoentes da Psicologia Corporal que também tiveram grande participação em nossa formação profissional.

 

Ola Raknes (1887-1975)

Psicanalista norueguês, sempre estava em busca de melhorias da técnica terapêutica. Tinha uma grande insatisfação e incômodo com o modelo tradicional da psicanálise, até conhecer Wilhelm Reich, que ainda fazia parte do rol dos psicanalistas ortodoxos junto a Freud. Quando Reich publicou o livro Análise do Caráter (1933), Raknes começou a mover-se em direção a esses ensinamentos onde diz ter encontrado tudo o que precisava para mudar suas atitudes básicas em relação à técnica psicoterapêutica.

Iniciou seus estudos com Reich de quem nunca mais se desligou. Foi amigo, colaborador, divulgador das ideias reichianas e formador de muitos outros que também se interessavam pela escola reichiana.

 

Myron Ruscoll Sharaf (1927-1997)

Nascido nos Estados Unidos, graduado em psicologia pela Universidade de Harvard Sharaf também foi paciente, aluno e amigo próximo de Wilhelm Reich. Enquanto professor de psiquiatria na Harvard Medical School, divulgou as ideias reichianas sempre que pode e em 1983 lançou nos Estados Unidos uma obra bastante importante que traz a completa biografia de Reich, Fury On Erarth.

 

 

Gerda Boyesen (1922-2005)

Nascida na Noruega, Gerda graduou-se em psicologia e fisioterapia. Foi paciente de Ola Raknes e posteriormente sua aluna, aprendendo com ele a metodologia reichiana, passando a apreciar a importância do trabalho com o corpo como complemento da terapia verbal. Seu trabalho como fisioterapeuta levou-a a trabalhar com Aadel Bülow-Hansen com quem aprendeu técnicas de massagem que combinadas com a psicoterapia deram origem ao trabalho que chamou de psicoperistaltismo. Gerda acreditava que o stress psicológico estava diretamente ligado ao sistema digestivo e que certas técnicas de massagem poderiam dissolver o bloqueio emocional que aprisionava sentimentos indesejados. Passou a fazer uso de um estetoscópio para ouvir os sons emitidos pelo intestino do paciente e a partir disso, constituiu uma nova forma de trabalho, conhecida atualmente como Psicologia Biodinâmica.

 

Federico Navarro (1924-2002)

Médico italiano com formação em neurologia e psiquiatria, Federico Navarro foi professor da Universidade de Nápoles e diretor do Hospital Psiquiátrico Judiciário. Na década de 60 foi pioneiro do movimento da psiquiatria democrática, o que culminou com o seu afastamento da posição de diretor do hospital. Em 1966 tomou conhecimento das obras de Reich e foi estudar com Ola Raknes, a quem passou ter grande admiração. Aluno, paciente e amigo de Raknes, Navarro foi um grande contribuidor para a divulgação dos trabalhos de Reich na Europa. Disse Navarro que Reich havia pedido a Ola Raknes que sistematizasse uma metodologia para a vegetoterapia que ainda estava sendo desenvolvida. Raknes respondeu que não sentia-se habilitado a tal proeza mas que passaria essa missão quando encontrasse alguém à altura, missão essa que foi repassada a Federico Navarro assim que terminou seu treinamento com Ola Raknes. De forma brilhante, Navarro não só sistematizou o que chamou de actings da vegetoterapia, como também fez uma retomada e reorganização da teoria da análise do caráter de Reich, culminando no livro intitulado Caractereologia pós-reichiana, seguido por diversos outros. Com sua regorosidade científica e carisma, Navarro abraçou a missão de transmitir esses conhecimentos em todos os cantos do mundo.

 

John Pierrakos (1921-2001)

De origem grega, o médico e psicoterapeuta John Pierrakos também foi aluno e colaborador de Reich, de quem se desligou no final dos anos 40. Segundo Pierrakos, Reich era tido como uma ameaça para a Associação de psiquiatria Americana e outros. Eles pediram a FDA para prendê-lo por transportar acumuladores de orgone, pelas divisas dos estados. Embora agora eu fosse um membro do grupo de Reich e acreditasse na essência do seu trabalho, vi que ele e seus seguidores estavam manipulando o material com poucos cuidados.  Eu não queria arriscar minha licença medica por uma causa sem apoio de modo que decidi me retirar. Me chateou profundamente ter saído naquele momento, porque Reich tinha exercido um papel crucial na minha vida” .  Anos mais tarde, junto com Alexander Lowen, criou a Analise Bioenergética da qual desligou-se posteriormente.  Mais tarde, juntamente com sua esposa Eva Pierrakos, participou da criação do Pathwork, um caminho de auto conhecimento espiritual., experiência que levou-o a também criar a chamada Core Energetics.

 

Jacob Levy Moreno (1889-1974)

Uma outra escola que não podemos deixar de mencionar, que faz parte de nossa formação, é o psicodrama, criado na década de 20, em Viena, pelo psiquiatra judaico romeno, Jacob Levy Moreno. O psicodrama surgiu da união de seu trabalho clínico e de sua experiência como diretor de teatro onde pretendia que a ação dramática terapêutica levasse a algo mais do que a mera repetição de papéis tais como são desempenhados no quotidiano. Para Moreno, a ação dramática permite percepções profundas por parte do Protagonista e do grupo, a respeito do significado dos papéis assumidos. Juntamente com sua esposa Zerca Torman Moreno, em 1942, criou nos Estados Unidos o Instituto de Psicodrama de Nova Iorque. O psicodrama é uma escola convergente da Psicologia Corporal, que também, diferentemente das psicoterapias normalmente verbais, faz intervir manifestamente o corpo como protagonista das emoções, em suas variadas expressões e interações com outros corpos.